Dom17102021

Manoel de Melo

manoel-de-meloManoel de Melo (1929 - 1990)A Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo, nasceu do poder de Deus e na Unção do Espírito Santo, através do espírito empreendedor e evangelístico do saudoso pastor MANOEL DE MELO.

No lugarejo de Amoroso, município de Água Preta, aproximadamente 150 Km da capital de Pernambuco, uma numerosa família dedicava-se à agricultura, residindo em uma casa com espaçosas dependências, varandas e ao lado curral e estrebaria, defronte a um pasto verdejante. O pai era João de Mello Silva, brasileiro, descendente de brasileiros; casado com Doralina Soares da Silva, brasileira de descendência holandesa.

Em meio a esta família, a 20 de Agosto de 1929, nasceu uma criança a quem foi dado o nome de Manoel de Mello e Silva, comumente chamado pelo apelido de "Neco". Manoel de Mello teve em sua infância um desenvolvimento normal e próximo aos 4 anos de idade, "Seu João", católico nominal, pensou em batizá-lo, arrumando até o padrinho para o evento. Porém, sua mãe, cristã convicta, instruía o menino no caminho de Deus.

No dia marcado pelo seu pai para o encontro com seu "padrinho", ocorreu uma surpresa a todos que estavam na imensa sala da família Mello. Quando seu padrinho perguntou a Manoel se ele estava feliz por ser batizado, ganhar um terno novo ir a Igreja à cavalo e ver a missa e o Padre, este respondeu: "O senhor meu pai sabe que eu sou quente (crente), e se me levarem para batizar eu falo pro Padre que sou quente, quente, quente, quente!!!!!.... Junto com esta declaração enfática, do menino Manoel, vieram batidas firmes de pés no chão, e um dedo apontado para o rosto do padrinho, o que criou um clima intranqüilo para seu pai e o padrinho, mas de grande satisfação para sua mãe.

Manoel de Mello crescia e interessava-se pelas coisas de Deus. Aos 9 anos de idade foi batizado com o Espírito Santo, e já sabia de cor mais de uma centena de hinos, além de recitar vários Salmos e diversas passagens da Palavra de Deus. Depois dos 11 anos, pregava para auditórios de 100 pessoas, que eram sacudidas pelo poder de Deus que fluía de sua mensagem, o que veio a provocar certo ciúmes a pregadores mais idosos da igreja. Como pregador, suas mensagens voltavam-se de forma especial para o poder da fé e os milagres operados por Jesus e pelos Apóstolos.

Aos 14 anos de idade, Mello interessou-se em sua vida secular, pelo ofício da Construção Civil, havendo se especializado nesta área.

Aos 18 anos de idade, Manoel de Mello viajou para a cidade de São Paulo, onde de início já passou por algumas dificuldades. Porém, fez amizades lá, e vencendo as barreiras, agregou-se na Igreja Evangélica Assembléia de Deus, onde foi consagrado Diácono. De dia trabalhava como Mestre de Obras, e à noite, pregava nos templos daquela denominação.

Mas, Deus tinha planos para a vida daquele homem que ele sequer imaginava! Com o decorrer do tempo, o Diácono Manoel de Mello, foi sendo aquecido pelo Espírito Santo em sua fé. Com 22 anos, em 1951, casou-se com Ruth Lopes, e dessa união nasceram Boaz Alberto e Paulo Lutero.

Em 1952, Manoel de Mello foi surpreendido por uma enfermidade mortal (paralisia intestinal), que em menos de uma semana fez com que seus parentes e amigos o considerassem como morto. Mas ele foi ungido com óleo, conforme a ordenança bíblica de Tiago 5.14-15, e após a oração da fé, foi milagrosamente curado, tendo sua saúde restabelecida por Deus. Este acontecimento fortaleceu a sua fé, e o tornou convicto da operosidade dos dons espirituais, característica marcante que acompanhou todo o seu ministério, principalmente na área de cura divina e sinais e maravilhas.

Depois de ter sido curado da paralisia intestinal, Manoel viu-se impedido de continuar suas atividades seculares, e passou a dedicar-se exclusivamente à pregação do Evangelho e ao ministério. Muitos levantaram-se tentando impedi-lo de sua iniciativa, inclusive dentro da própria denominação que pertencia. Alguns por não concordarem com sua linha doutrinária de pensamento, baseada nos dons do Espírito Santo, e nos milagres operados por Jesus e os Apóstolos, e outros por ciúmes.

Hoje, vários pastores nos contam, segundo a tradição oral, que muitas vezes na igreja, durante campanhas de missionários e pregadores famosos, muitos dos quais estrangeiros; no momento da oração, o povo muitas vezes clamava: "Nós queremos a oração do Diácono Manoel de Mello!". E, quando ele orava, os milagres aconteciam de forma extraordinária. Manoel de Mello também passou a ser perseguido por muitos de fora, incrédulos do poder de Deus e motivados pelo inimigo.

A intensa perseguição o levou a realizar períodos de intensos jejuns e orações que entravam pelas madrugadas. Estudou a vida de famosos pregadores e analisou detalhadamente os grandes movimentos de reavivamento espiritual ocorridos no mundo. Foi ordenado ministro pela Corporação Evangélica Four Square, com sede nos Estados Unidos, e em 1955 teve uma visão de Deus que o próprio Manoel de Mello narra: "Em 1.955 tive uma visão espiritual na qual o Senhor Jesus me apareceu e me deu ordens para começar, no Brasil, um movimento de Reavivamento Espiritual, Evangelização e Cura Divina, e o Senhor Jesus mesmo deu-me o nome: "O BRASIL PARA CRISTO". Obedeci a ordem. Aleluia!

Comecei o movimento. Companheiros e companheiras do mesmo ideal do Evangelho uniram-se a mim na grande jornada. Naquela visão Jesus me revelou que todos que cooperassem comigo na Obra que iria fazer de maneira nenhuma perderiam seu galardão, então abrimos milhares de igrejas de norte a sul do Brasil..."

Sem dúvida alguma começava no Brasil o maior movimento de Evangelização e Reavivamento Espiritual de toda a América Latina, o movimento chamado de: "O BRASIL PARA CRISTO", uma das maiores expressões da Igreja Pentecostal no Brasil.

O Missionário Manoel de Mello firmou-se então como autêntico líder do Pentecostalismo no Brasil, chegando a reunir em suas campanhas até 200.000 pessoas em algumas reuniões, fato que lhe custou alto preço - Foi preso 27 vezes, acusado de curandeirismo pelas curas que aconteciam em seus cultos, por causa do seu ponto de vista não conformista e especialmente por seus pronunciamentos proféticos.

O Ministro Evangélico Manoel de Mello foi um líder popular de grande penetração entre as massas, promoveu grandes concentrações evangelísticas em todos os estados do Brasil, principalmente em São Paulo. Chegou até mesmo a lotar o Estádio do Pacaembu, numa gigantesca concentração. Em abril de 1.976, na Sexta-Feira da Paixão, reuniu cerca de 30.000 pessoas nas dependências do Grande Templo.

Porém, Manoel de Mello, não se deteve só no Brasil, mas viajou para todos os continentes realizando conferências em 133 países, em igrejas, universidades, simpósios e convenções. Pregou para reis, rainha da Inglaterra, duas vezes para o presidente dos Estados Unidos dentro de sua própria sala, primeiro ministro da Alemanha, entre outros. Foi entrevistado pela cadeia de televisão CBS americana, BBC londrina, além de vários outros veículos de comunicação internacionais, como a televisão sueca, a alemã, os jornais "New York Times" e o "Le Monde".

Aqui no Brasil, vários órgãos da imprensa deram cobertura às suas atividades evangelísticas. Por estas mesmas atividades recebeu o prêmio de religião como o pregador que mais se destacou no ano de 1.972, concedido pela Fundação Edward Browning e representado pelo troféu Browning. Em 1.978 recebeu o título de: "O Bandeirante do Brasil Presente", concedido pelo INEC (Instituto Nacional de Expansão Cultural). Em 07 de outubro de 1.981 foi entrevistado pela revista Veja, cujo assunto foi: " Pentecostais - O Milagre da Multiplicação" (Capa da Revista). Era um homem avançado para o seu tempo.

Manoel de Mello sempre foi um homem voltado para a elevação do espírito, para o bem-estar do homem e principalmente a salvação que o Senhor Jesus Cristo pode proporcionar a todos quantos se entregarem a Ele. Manoel de Mello e Silva, um nome que sempre ficará gravado nos anais da história e nos corações do povo evangélico do Brasil e até mesmo do mundo, um homem que fez muito pela causa de Cristo aqui na terra mas, no dia 05 de maio de 1990 o Senhor o recolheu.

Que possamos ter em nossos corações e em nossas mentes, o desejo e a determinação que este grande servo do Senhor tinha ao gritar nas praças de São Paulo e de todo Brasil "VAMOS GANHAR O BRASIL PARA CRISTO".

MARANATA, Ora vem Senhor Jesus. Amém!

 

Igreja Brasil Para Cristo

 

 

História da Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo

 Certamente não existe outra forma de contar a história da Igreja O Brasil Para Cristo sem começar pela história do Missionário Manoel de Mello, seu fundador. Manoel de Mello e Silva, nascido em Água Preta, Pernambuco, em 20 de agosto de 1929, mesmo sem educação formal, era um cristão enfezado na pregação do evangelho, desde sua adolescência.

Até o ano de 1947, Manoel de Mello residiu em Água Preta e trabalhou como pedreiro e mestre de obras, quando mudou para São Paulo e passou a fazer parte da Assembleia de Deus, igreja que lhe consagrou diácono. Nessa época, trabalhava na construção durante o dia e pregava à noite nas igrejas. Em 1951, casou-se com Ruth Lopes. Em 52, fora acometido de uma paralisia intestinal e depois foi milagrosamente curado. O que o levou a abandonar a construção civil e dedicar-se exclusivamente ao trabalho missionário. Nessa época, desligou-se da Assembleia de Deus e passou a integrar a Cruzada Nacional de Evangelização, atual Igreja do Evangelho Quadrangular, que o consagrou ao pastorado.

No ano de 1955, o então Pr. Manoel de Mello reuniu em sua casa um grupo de mais ou menos 40 pessoas formado por irmãos e amigos para relatar-lhes uma visão que recebeu de Deus: “... tive uma visão espiritual na qual o Senhor Jesus me apareceu e me deu ordens para começar, no Brasil, um movimento de reavivamento espiritual, evangelização e cura divina, e o Senhor Jesus mesmo deu-me o nome: O Brasil Para Cristo". Logo, o grupo organizou-se para a realização de campanhas e cultos em tendas improvisadas dando início aos trabalhos da Igreja Jesus Betel – O movimento do caminho.

manoelavozdobrasil

A Voz do Brasil Para Cristo

No ano seguinte, em 1956, aconteceu algo que proporcionaria uma grande projeção do ministério do missionário. Ao lado do Pr. Alfredo Rachid Góes, passa a dirigir um programa de rádio chamado de A Voz do Brasil Para Cristo. Certamente uma estratégia visionária, mas um tanto ousada, haja vista as críticas das lideranças protestantes da época que entendiam que o rádio era profano. Veiculado pela emissora Piratininga de São Paulo, o programa logo vira um sucesso da audiência local e tem a oportunidade de ser veiculado internacionalmente pela Rádio Tupi.

De fato o programa A Voz do Brasil Para Cristo foi e ainda é um sucesso do rádio. Esteve no topo das pesquisas de audiência por 34 anos consecutivos e está no ar até hoje. Atualmente é transmitido pela Rádio Musical FM 105,7 e apresentado pelo Pr. Paulo Lutero de Mello, filho do missionário.

Crescimento e perseguição

A década de 50 certamente foi um período de grandes conquistas e crescimento da denominação através do trabalho do missionário e de seus parceiros de ministério. Ainda chamada de Jesus Betel, a denominação realizou campanhas em tendas atraindo multidões em reuniões sempre marcadas por mensagens de salvação, curas e milagres.

No dia 3 de março de 1956, a denominação, atendendo à necessidade de legalização de seu estabelecimento, registrou-se com o nome de Igreja Evangélica Pentecostal, tendo por lema a memorável frase: O Brasil Para Cristo. Essa só passou a fazer parte do nome, bem mais tarde, em 74.

Em todos os cantos do Brasil, líderes evangélicos que possuíam a mesma visão de crescimento e evangelismo passaram a se unir ao trabalho do missionário. Assim a denominação passa a ter participação em quase todos os estados do país. No Rio Grande do Sul, o Reverendo Olavo Nunes, líder da Igreja Evangélica Pentecostal Brasileira, realiza uma fusão com o trabalho do missionário, fundando assim a denominação também no RS. Olavo Nunes passa a fazer parte desta história de uma forma muito expressiva, tornando-se parceiro de trabalho e amigo de Manoel de Mello. Mais tarde seria o primeiro a ser indicado à presidência do Conselho Nacional da denominação pelo próprio missionário.

A cada culto aumentava o número de fiéis, mas também aumentava a preocupação dos opositores. Muitas foram as tendas incendiadas em sinal de protesto. Nem mesmo o tabernáculo de madeira, construído no bairro de Belém, São Paulo em um terreno cedido pelo então prefeito Ademar de Barros para ser a sede da denominação, escapou dos ataques opositores. O prédio foi demolido durante a noite, a mando do próprio prefeito. Acredita-se que este sofria muita pressão da liderança católica da cidade.

Na década de 60, período de intensa perseguição por conta do regime militar, não foram poucas as reuniões nas ruas e nas praças. Em São Paulo, celebraram-se cultos no Teatro de Alumínio, no Estádio do Pacaembu e no Vale do Anhangabaú. Numerosos também foram os convites para eventos em outros estados. Em todos os casos, sempre grandes multidões prontas para testemunhar os milagres e pregação da Palavra de Deus.

Durante o regime militar, o missionário Manoel de Mello, não se fez omisso aos casos de abuso de poder por parte do governo. O que o fez ser vigiado 24 horas por dia, por onde fosse. Fato que não o intimidou. Já que, sabendo que era vigiado, dizia durante as reuniões: “Aos agentes da polícia federal aqui presentes, aviso: podem ligar os seus dispositivos de gravação, agora, porque eu estou pronto para iniciar a minha pregação.” De fato era uma atitude ousada e corajosa, algo peculiar a sua personalidade. Por conta disso, foi preso cerca de vinte e sete vezes acusado de charlatanismo, curandeirismo, entre outras acusações infundadas.

Entre os anos de 1960 e 79, a sede nacional era ainda improvisada em um galpão no bairro Tatuapé. Nessa época, estava em plena atividade a construção do que viria a ser a nova sede no bairro da Pompéia, também em São Paulo. No ano de 79, quando já pronto, o Grande Templo, como é conhecido até hoje, comportava em sua nave principal mais de 10 mil pessoas e por muito tempo foi considerado o maior templo evangélico do mundo.

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O reconhecimento

Apesar de toda perseguição, o trabalho de Manoel de Mello a frente da Igreja O Brasil Para Cristo foi reconhecido nacionalmente nas rádios e na TV. Na mídia impressa teve grande repercussão até que em 1981, foi capa da edição de outubro da Revista Veja. Sendo assim, o primeiro líder evangélico a ser capa desta revista.

A fama do trabalho da denominação rompeu as barreiras geográficas com uma projeção internacional, levando o missionário a pregar em 133 países em todos os sete continentes. Ele também foi recebido por grandes autoridades estrangeiras como o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, a rainha da Inglaterra, entre outros. Diversas entrevistas à mídia internacional como os americanos jornal New York Times e a emissora de TV CBS, a emissora de TV inglesa BBC, o jornal francês Le Monde, etc.

Além disso, Manoel de Mello integrou o Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas, órgão ecumênico voltado para a defesa dos direitos humanos.

 

 

 

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