Seg16092019

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O Poder do Evangelho

Porque fito me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé." (Rm 1.16,17)

Quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, ele nunca tinha visitado Roma. Ele almejava fazê-lo e esperava que seu desejo se cumprisse. Este desejo foi gerado por sua cidadania romana e por seu interesse na igreja cristã em Roma; e sobretudo porque ele ansiava que a igreja naquela cidade fosse um instrumento para a evangelização do mundo ociden­tal. Escrevendo aos santos na cidade imperial, ele declarou que não se envergonhava do Evangelho, e deu suas razões.

A declaração de que ele não tinha vergonha é em si interessante. É a única ocasião na qual encontramos Paulo sugerindo a possibilida­de de estar envergonhado do Evangelho. Estou perfeitamente cônscio de que esta é uma declaração da qual ele não se envergonhava; mas por que fazer a declaração? Penso haver apenas uma resposta, e é sugerida pelas palavras que imediatamente precedem o texto: "E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma" (Rm 1.15). A declaração de que ele não se envergonhava do Evangelho, com a implicação da possibilidade de estar envergonhado, era o resultado da consciência que ele tinha da cidade de Roma — da sua dignidade imperial, da sua magnificência material, do seu desprezo orgulhoso por todos os es­trangeiros, da imensidade de suas multidões, da profundidade da sua corrupção. Não havia dúvida em sua mente sobre o poder do Evan­gelho que ele pregava e, não obstante, detectamos o cicio da investi­gação quando ele escreveu: "Estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. Porque não me envergonho do evangelho de Cristo “.

Sempre é mais fácil pregar num vilarejo do que numa cidade, ao povo afável e simples da zona rural do que aos metropolitanos satis­feitos. Não é bem assim, mas é o sentimento que tão invariavelmente assalta a alma do profeta de Deus. Em resposta à consciência da alma, ou talvez em resposta ao sentimento que tal consciência existisse na mente dos cristãos romanos, Paulo afirmou sua prontidão em tam­bém pregar o Evangelho em Roma. declarando que ele não se enver­gonhava dele e dando como razão que este Evangelho era "o poder de Deus para salvação". A única justificação de um evangelho é que ele é poderoso. A mensagem que proclama a necessidade c a possibi­lidade de renovação espiritual e moral deve ser testada pelos resulta­dos que produz. A palavra destituída de poder não é a Palavra do Senhor. O evangelho que não produz os resultados que preconiza serem tão necessários e tão possíveis não é evangelho. Nosso Evan­gelho é o poder de Deus?

Permitam-me dizer imediatamente que o impulso particular de minha mensagem de hoje à noite me veio em resultado de uma longa carta que tenho em mãos, quatro páginas cuidadosamente escritas que não lerei por completo, mas que li repetidas vezes para proveito e exame de minha própria alma como pregador do Evangelho, e da qual proponho ler algumas frases. A carta foi escrita em 23 de setem­bro e refere-se a reuniões que tinham sido feitas em preparação ao trabalho de inverno:

"Você disse na terça-feira à noite que homens em todos os lugares buscam a realidade, e concordo totalmente. Muitas vezes ouvimos falar sobre a dinâmica do Cristianismo. Há moços e jovens — falo somente daqueles sobre cujas tentações sei alguma coisa — que têm de enfrentar tentações, e mesmo nesta semana tem clamado ao Se­nhor Jesus em busca de ajuda e procurado o melhor que sabem para vencer, sem sucesso. Quando um jovem me pergunta de onde ele obtém poder para vencer, o que digo? Um chegou a comentar: 'Não é uma falta que nossa religião não proporcione poder real para vencer tais e tais tentações, tentações que não podem ser evitadas e que têm de ser enfrentadas?'. Os homens não querem somente uma idéia teó­rica ou idéias sobre a dinâmica do Cristianismo, eles querem saber como se apropriar dessa dinâmica na prática. Obreiros cristãos zelo­sos querem saber até onde e de que modo eles podem encorajar os espiritualmente doentes e cegos à esperança de ajuda espiritual de­pois que eles creram e tiveram os pecados perdoados. A experiência mostra que não deve ser questão de mera inferência, pois seria provável que a inferência prometesse mais do que geralmente é percebi­do. Oferecer esperanças que a experiência irá desapontar é desastro­so. H a realidade que os homens desejam ardentemente".

Acredito que a carta expressa a busca e o sentimento de muitas almas. Penso que meu amigo agarrou-se a uma palavra pela qual ele sabe que sou peculiarmente apaixonado: a palavra dinâmica. Con­fesso-me culpado; eu amo a palavra e a uso muito porque é uma palavra do Novo Testamento. É a mesma palavra do meu texto: O Evangelho é o poder (dunamis) de Deus para salvação. A carta de meu amigo é praticamente um desafio da declaração do meu texto. O texto diz que "o evangelho [...] é o poder de Deus para salvação". Meu amigo sugere que haja homens que ouvem a chamada de Jesus, são obedientes e, todavia, não experimentam esse poder. Não vou discutir os pontos da carta, mas antes considerar a declaração de Paulo, esperando e acreditando que nessa reflexão e no esforço de entender o significado do grande apóstolo nesta questão, sirva de ajuda para pessoas honestas cuja dificuldade foi enunciada pelo es­critor da carta.

Direi ao escritor da carta e a todos os que se colocam ao lado dele que concordo não haver nada mais importante hoje em dia do que o pregador e mestre cristãos serem verdadeiros no uso dos termos. Mas todos os que fazem essa exigência têm de reconhecer a dificuldade extrema da realidade na terminologia, quando lidam com forças espi­rituais que nunca podem ser perfeitamente apreendidas. Sempre que temos de lidar com grandes forças, encontramo-nos em dificuldade semelhante. Não sou eletricista, mas proponho uma questão sobre se o termo "desenvolver eletricidade" é um termo preciso. Não digo que não é, mas pergunto: Alguém pode desenvolver a eletricidade? Afinal de contas, não é uma palavra que arriscamos até que tenhamos co­nhecimento mais completo? Hã alguém nesta casa, em Londres ou no mundo, que esteja preparado para nos contar a última novidade so­bre eletricidade, não só no que concerne ao que pode ser feito por ela, mas também sobre o que é? No momento em que entramos no escopo das grandes forças que são intangíveis, imponderáveis, de­monstradas pelo que fazem, é que estamos pelo menos em perigo de sermos irreais em nossos termos. Estamos lidando agora com a mais maravilhosa de todas as forças. Ao final de nossa meditação, haverá indubitavelmente um sentimento de que alguns dos termos de que fizemos uso parecem carecer de realidade. Não é que a força lidava com o que é irreal, mas que está tão além de nossa explicação final, que 06 termos não podem revelar quais cobrem os fatos do caso, enquanto não tiver sido excluído tudo o que deva ser excluído.

Limitando-nos às palavras selecionadas, consideremos: primeira­mente, a afirmação: "O evangelho [...] é o poder de Deus para salva­ção": em segundo lugar, a condição na qual o poder é apropriado: "De todo aquele que crê"; e, por último, a exposição da operação que o apóstolo Paulo acrescentou: "Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé".

Em primeiro lugar, então, detenhamo-nos na afirmação. Aqui não são necessárias muitas palavras. O apóstolo declara que "o evangelho [...] é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê". O poder, que é algo que produz resultados; algo que é mais que teoria; algo que é mais poderoso que uma lei; uma força espiritual e presen­te que produz resultados espirituais; um poder vigente que realiza coisas. O que há em si pode ser um mistério; como o poder que faz o trabalho não pode ser conhecido: mas o apóstolo declara que realiza certas coisas, e sabemos que o Evangelho é mais que teoria, mais que lei. que é poder, pelos resultados que produz. Além disso, ele faz a declaração superlativa de que é "o poder de Deus". Este é o modo de declarar sua suficiência pela realização de certas coisas. Em qualidade é irresistível, em quantidade é inesgotável. Não obstante, ele declara mais adiante que é "o poder de Deus para salvação". Isto imediata­mente define e limita o poder do Evangelho. O Evangelho é o poder que opera só até a esse fim. O Evangelho é o poder que opera perfei­tamente até a esse fim.

A palavra salvação imediatamente indica a investigação quanto ao perigo a que está referido, pois saber o perigo é saber o âmbito da salvação. Aqui, para resumir brevemente, o perigo é duplo: contami­nação da natureza e paralisia da vontade. Os homens descobrem que a natureza fica tão debilitada na presença da tentação que eles se entregam; e a vontade fica tão paralisada que mesmo quando eles têm vontade de não se entregar, ainda assim se entregam. Esta é a história do perigo. O apóstolo declara que o Evangelho é "o poder de Deus para salvação", ou seja, para purificação da natureza de sua contaminação e para capacitação da vontade, de forma que doravante o homem não só deseje fazer o bem, mas que o faça.

É perfeitamente claro, contudo, que o Evangelho só opera na vida humana pelo cumprimento de certas condições. O Evangelho não é o poder de Deus para todo homem. "O evangelho [...] é o poder de Deus para [...] todo aquele que crê". Neste ponto, o apóstolo reconhe­ceu a possibilidade humana, isto é, a possibilidade comum a toda natureza humana, independente de raça ou privilégio. "Primeiro do judeu e também do grego". As condições podem ser cumpridas por homens como homens, à parte de questões de raça, privilégio ou temperamento. O Evangelho pode ser crido pelo metropolitano ou pelo provinciano, pelo morador de Roma tão certo quanto pelos moradores de pequenos povoados pelos quais ele tinha passado, pelos instruídos ou pelos íletrados. A crença é a capacidade e possibilidade de vida humana em todos os lugares.

O que é esta capacidade? Temos de interpretar o uso do verbo crer por seu uso constante e consistente na revelação do Novo Testa­mento. Tem de haver convicção antes que haja crença. A crença sem­pre está fundamentada na razão. Corno as pessoas podem crer se não ouviram? A convicção não é necessariamente a convicção da verdade da reivindicação; não é necessariamente a convicção de que o Evan­gelho operará. Pode haver fé antes de eu estar seguro de que o Evan­gelho vai operar. Com efeito, milhares de pessoas têm profunda con­vicção de que o Evangelho operará, as quais todavia nunca creram. A convicção necessária é a que tem em vista a necessidade experimen­tada e a reivindicação que o Evangelho faz, e ela deve ser posta à prova. Jesus disse aos que em certa ocasião o criticavam; "Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo" (Jo 7.17). Com certeza era uma prova perfeitamente justa. Aquele que põe à prova o Evangelho obedecendo-o, descobrirá se sua reivindicação de poder é acurada.

Quando o homem se convence de que, na presença de sua ne­cessidade e da reivindicação que o Evangelho faz, ele deve pô-lo à prova, ele chegou à verdadeira atitude de mente na qual é possível ele exercer a fé. A fé, então, é volitiva. Esta é a responsabilidade central da alma. A fé não é um sentimento que vem surrupiando através da alma. A fé não é uma inclinação ao Senhor Jesus Cristo. A fé não é uma convicção intelectual. A fé é o ato volitivo que decide, na presença de grande necessidade e de grande reivindicação, pôr à prova essa reivindicação pela obediência a ela. A conduta é a expres­são resultante; a conduta que está de acordo com as reivindicações feitas pelo Evangelho, imediata c progressivamente. Qualquer que seja a proclamação que 0 Evangelho faça à alma, esta deve pôr à prova o Evangelho obedecendo-o. Invariavelmente, quando a alma sob convicção de pecado vai a Cristo, tudo é enfocado num ponto; e quando o Evangelho é obedecido haverá outras chamadas feitas à alma por este Evangelho, quais sejam, a chamada da pureza e da justiça como também da misericórdia e do amor. A fé é o ato volitivo que põe à prova o Evangelho pela obediência às suas reivindicações. Esta é a condição da apropriação.

A situação é iluminada para a alma investigativa pela palavra explicativa: "Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé". Esta é a exposição do que ele já escreveu concernente ao Evangelho, tanto no que toca à natureza do poder que é residente em si, quanto no que Doca à lei pela qual o poder é apropriado por cada pessoa individu­almente. A declaração de que no Evangelho há uma revelação da justi­ça de Deus não significa que o Evangelho revelou o fato de que Deus é justo. Essa revelação precedeu em tempo o Evangelho; encontra-se na Lei; encontra-se na história humana; encontra-se em todos os luga­res no coração humano. Fora desse conhecimento vem a agonia da alma que vai à procura de um evangelho. A declaração significa clara­mente que o Evangelho revela o fato de que Deus coloca a justiça à disposição dos homens que em si mesmos são injustos; que Ele torna possível ao injusto tornar-se justo. Esta é a exposição da salvação. A salvação é a justiça tornada possível. Se você me disser que a salvação é a libertação do inferno, eu lhe direi que você tem um entendimento totalmente inadequado do que é salvação. Se você me disser que a salvação é o perdão de pecados, eu afirmarei que você tem uma com­preensão muito parcial do que é salvação.

A menos que haja mais na salvação que libertação da pena e perdão das transgressões cometidas, então assevero solenemente que a salvação não pode satisfazer meu coração e consciência. Este 6 0 significado da carta que recebi: mero perdão de pecados e libertação da pena não podem satisfazer o mais profundo da consciência humana. Bem no fundo em comum na consciência humana há uma respos­ta maravilhosa ao que é de Deus. O homem pode não obedecê-lo, mas ali nas profundezas da consciência humana há uma resposta à justiça, uma admissão de sua chamada, sua beleza, sua necessidade. A salvação é tornar possível essa justiça. A salvação é o poder para fazer o bem. Por mais enfraquecida que a vontade esteja, por mais contaminada que esteja a natureza, o Evangelho surge trazendo aos homens a mensagem de poder que os capacita a fazer o bem. No Evangelho está revelada a justiça de Deus; e como o apóstolo argu­menta e deixa bastante claro à medida que prossegue com a grande carta, é uma justiça que é colocada à disposição do injusto de forma que o ele possa se tornar justo no coração, pensamento, vontade e ação. A menos que isso seja o Evangelho, não há Evangelho. Paulo afirma que era o Evangelho que ele ia pregar em Roma.

Assim chegamos a uma frase que está cheia de luz. Ele nos diz que esta justiça ali revelada, revelada no Evangelho, é "de fé em fé"; e nesta frase ele nos fala exatamente como os homens recebem este poder. Ele já nos disse que é para todo aquele que crê, então nos faz uma exposição dessa frase. Assim como nos fez uma exposição da "salvação" conforme a revelação da justiça de Deus à disposição dos homens, agora ele nos faz uma exposição da frase "todo aquele que crê" na frase "de fé em fé".

A frase é ao mesmo tempo simples e difícil. Não há o que duvidar quanto à estrutura. Tomando a frase como está e olhando-a gramati­calmente à parte de seu contexto, é evidente que a segunda "fé" é fé resultante. A fé secundariamente referida origina-se na primeira. "De fé em fé". É fato surpreendente o quanto quase todos os expositores têm sido bem-sucedidos em passar apressadamente por esta frase. O que o apóstolo quis dizer? Ele quis dizer que é uma fé inicial por parte do homem, que resulta numa fé ainda mais firme? É possível; mas há outra explicação. Acredito que o apóstolo Paulo quis dizer que no Evangelho está revelado uma justiça que está à disposição do pecador, pela fé de Deus para a fé do homem. A fé de Deus produz fé no homem. A fé de Deus. Deve tal frase ser usada acerca dEle? Sem dúvida, se a fé é certeza, confiança e atividade fundamentada na confiança. A fé de Deus é fé em si mesmo, em seu Filho e no homem. Com base na fé de Deus em si mesmo, com base na sua fé em seu Filho e com base na sua fé no homem, Ele coloca através do Filho uma justiça à disposição do homem apesar do pecado. Esta fé de Deus torna-se, quando é apreendida, a inspiração de uma fé responsiva no homem. Inspirado pela fé de Deus, eu confio nEle. Eu ajo em consonância com a fé que Ele demonstrou na história humana, pelo envio de seu Filho e por toda a provisão da graça infinita.

Volto-me para antes desta epístola e observo uma vez mais o Senhor Jesus como Deus me foi revelado por Ele; e é o que Ele sempre fez ao lidar com pecadores. Ele sempre pôs confiança neles para inspirar-lhes a confiança nEle. ''Se tu podes fazer alguma coisa'", disse um homem a Jesus — se tu podes! — Tudo é possível ao que crê" (Mc 9-22,23), foi a resposta dEle. Era a declaração do Senhor acerca da confiança que Ele tinha na possibilidade do homem que estava diante do sentimento da própria apavorante fraqueza. Há mui­tas ilustrações mais notáveis e excelentes no Novo Testamento. Ele sempre lidou com os homens com base na confiança que tinha neles; em todo o seu potencial, a despeito do fracasso; sempre na condição de que eles poriam uma confiança responsiva nEle. Ilustração supre­ma deste fato é oferecida no cenáculo na noite anterior à crucificação, quando Ele lidava com os discípulos à vista da proximidade de sua partida. Observe atentamente a conversa do Senhor com Pedro. Pedro, exigindo entendê-lo, em agonia diante das incertezas que se lhe aba­tiam, disse: 'Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes, agora, seguir-me, mas, depois, me seguirás. Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida. Respondeu-lhe Jesus: [...] Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo, enquanto me não tiveres negado três vezes. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. [...] Vou preparar-vos lugar. E, se eu for, [...] virei outra vez e vos levarei para mim mesmo" (Jo 13-36-38; 14.1-3).

Tiremos desta conversa seu valor central. É a confiança de Cristo. Ele disse a Pedro com efeito: "Eu sei o pior que está em você, as forças que você ainda não conhece que dentro de vinte e quatro horas o farão negar-me, amaldiçoando e praguejando; eu sei o pior; mas se você confiar em mim, realizarei o melhor em você. Eu conhe­ço o que há de melhor em você. Eu tenho perfeita confiança em você, contanto que você tenha confiança em mim".

Permitam-me fazer uma declaração superlativa. O que quer que pensemos sobre o gênero humano, Cristo julgou digno de morrer por ele! Ele acreditou nisso, apesar do pecado, apesar do fracasso indescritível do mundo. Em todas as histórias da Bíblia, quando Ele confrontou os pecadores, Ele acreditou neles. Ele conhecia a incapa­cidade deles. Ele sabia que de si mesmos eles não podiam fazer nada; mas Ele também sabia que neles estava o mesmo material do qual Ele poderia fazer os santos brilharem e cintilarem em luz para sempre. Apesar do dano do pecado, havia neles algo com que Ele podia lidar. Se posso tomar emprestado um termo inadequado usado pelos anti­gos teólogos, Deus crê na "salvabilidade" de todos os homens. Deus põe a justiça à disposição do homem pela fé nEle, no seu Filho e no homem, à cuja disposição Ele a coloca. Se isso for imediatamente percebido, os homens respondem à fé de Deus pela fé nEle.

Saiamos do âmbito da argumentação para o âmbito da experiên­cia. Todos os verdadeiros obreiros cristãos — homens e mulheres que sabem o que é realmente entrar em contato estreito com pecado­res, a cujas vidas prestam assistência espiritual — descobriram que o modo de tirar os homens do lamaçal do desalento é fazê-los perceber que eles acreditam neles. O modo de erguer de volta a mulher que caiu em degradação é mostrar-lhe que você sabe que ela é capaz do mais sublime e do mais nobre no poder do Evangelho de Jesus Cristo. "De fé em fé''. Pela fé é revelada a justiça de Deus no Evangelho. Pela confiança que Deus põe em si mesmo e pela confiança que Ele tem no potencial de cada vida humana, Ele colocou a justiça à disposição do homem por Cristo. Ninguém jamais se aproveitará disso exceto pela fé. Ninguém pode se apropriar da grande provisão, a não ser quando responde de fé em fé. Assim que esta fé de Deus no homem é respondida pela fé do homem em Deus, então é estabelecido con­tato entre a dinâmica que é residente dentro de si mesmo e posto à disposição dos homens pelo mistério da paixão divina e pela fraque­za e incapacidade da alma humana.

Este era o Evangelho do qual Paulo não se envergonhava. Tal é o Evangelho. A precisão da teoria só pode ser demonstrada mediante os resultados. Este é o tema total. Estou aqui hoje ã noite para afirmai mais uma vez, e faço-o não mais como teoria, faço-o como experiên­cia, falo deste momento em diante não como defensor, mas como testemunha, quando declaro que "o evangelho [...] é o poder de Deus para salvação". Por mais duro e severo que pareça a afirmação no presente instante, sou constrangido e compelido a asseverar que se o Evangelho não opera, a falha está no homem e não no Evangelho. Se não for verdadeiro, a história cristã é mentira. Se for verdadeiro, então todos os milhares e dezenas de milhares de seres humanos que du­rante dois milênios declararam que o Evangelho foi feito neles, foram lamentavelmente enganados ou muito misteriosamente cometeram fraude ao longo dos séculos e milênios. Se não opera, então o ho­mem que afirma estar livre do ataque do pecado é mentiroso e está pecando em segredo. Ou esta declaração é verdadeira ou o Evange­lho é um engano terrível e permite aos homens esconderem pecados secretos. Peço que você repense. Se você imaginou que não há dinâ­mica no Evangelho, repense, examine novamente a própria vida e descubra se você entrou ou não em linha com as reivindicações do Evangelho c cumpriu suas condições.

Eu afirmo que não é o bastante que o homem odeie o pecado e clame por ajuda; ele tem de se por em linha com o poder que opera; ele tem de cumprir as condições formuladas. Não é o bastante sub­meter-se ao Senhor; o homem também tem de resistir ao Diabo. Não é o bastante resistir ao Diabo; o homem também tem de se submeter ao Senhor. Há homens que se submetem c clamam por ajuda, mas não lutam contra as tentações. Eles nunca se apropriarão do poder. Há homens que lutam estrenuamente contra as tentações, mas nunca se submetem, nunca oram, nunca buscam ajuda. Jamais encontrarão libertação. "O evangelho [...] é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê". É no Evangelho que está revelado o fato de que a justiça como poder está à disposição dos pecadores pela fé de Deus no homem, inspirando a fé do homem em Deus. Quando o homem descobre o poder deste Evangelho, ele faz tanto quanto se submeter imediata e completamente à sua reivindicação.

Se este fosse o tempo e a ocasião, que não são, eu poderia cha­mar testemunhas. Elas estão nesta casa; homens que conhecem estas mesmas tentações delicadamente referidas nesta carta, tentações sutis e insidiosas; mas que também sabem que o Evangelho significou para eles o poder que os permite fazer as coisas que eles queriam fazer, mas não podiam até que creram neste Evangelho.

Gostaria que minha última observação neste discurso fosse um apelo a todo aquele que está face a face com este problema. Meu irmão, Deus acredita em você, apesar de todo o pior que há em você. Deus conhece o que há de pior em você, melhor que você mesmo. Não obstante, Ele acredita em você; e porque Ele acredita no seu potencial, Ele proveu justiça no e pelo Filho do seu amor, e pelo mistério da sua paixão. Quero que você responda à fé de Deus em você pondo sua fé nEle e demonstrando a fé que você tem fazendo a próxima coisa em obediência. Você também descobrirá que o Evan­gelho c o poder de Deus; não teoria, não inferência, mas poder, o qual entrando em sua vida, realiza através dela a obra de Deus e o faz experimentar todos os atributos da santidade, da justiça e da beleza sublime e eterna.

 

george-campbell-morgan

 

 

Prateleira

Este é o homem a quem olharei...

0-este-e-o-homem-a-quem-olharei

"Treme da minha palavra...", Isaías 66:1-2

Como isto te parece? O Altíssimo, busca atentamente algo nos homens, algo cujo valor transcende as iguarias dos príncipes desta terra.