Dom24062018

Albert Schweitzer

albert-schweitzerAlbert Schweitzer (1875 - 1965), Albert possuía um fantástico sentimento de solidariedade que lhe permitiu sentir a aflição dos outros. Chegando ao apogeu de sua carreira, parecia-lhe inconcebível a ideia de aceitar uma vida feliz e amena enquanto em volta de si muitos gemiam e sofriam. Foi numa manhã de verão de 1896, em Günsbach, que a alma de Schweitzer decidiu colocar-se a serviço dos outros. Perseguia-o as Palavras de Jesus: “Quem quer possuir a vida, perdê-la-á; quem por amor de Mim a perder, este a possuirá”. 

Albert Schweitzer, por volta dos trinta anos, já tinha publicado um opúsculo sobre Eugen Münch, uma tese sobre a vida de Jesus, um estudo sobre a filosofia de Emanuel Kant, duas obras de vulto, uma em francês e outra em alemão, sobre J.S.Bach, e finalmente um livro sobre “A arte de construir órgãos e a arte de tocá-los”. Mas apesar de todos os seus altos estudos, Albert Schweitzer, sentia que, como homem civilizado, filho da região que bem podia ser apontada como centro de gravidade da cultura europeia, ele sabia melhor do que ninguém que um livro bem feito é uma bênção para todos; sabia que a Teologia deve ser ensinada com competência; que a música de Bach deve ser bem compreendida e que os órgãos devem ser esmeradamente construídos. Alguma coisa dentro dele lhe dizia agora, na esquina dos trinta anos, que todos aqueles primores são vãos se o mundo não é fraterno. A impaciência de seu coração pedia obra mais direta. 

Não distinguia bem qual seria a obra para a sua vida. Pensou primeiro em alguma atividade realizada na própria Europa; acolher crianças abandonadas com o objetivo de elas serem educadas com o mesmo ideal e ele procuraria obter delas o compromisso de mais tarde ajudarem outras crianças. Quando em 1903, passou a ocupar a direção do Instituto Teológico, ofereceu seus serviços, baseados nesta proposta e não obteve êxito. As organizações existentes de socorro à infância abandonada desconfiavam da perseverança do voluntário que se oferecia. Por incrível que pareça, mesmo após o incêndio do Orfanato de Estrasburgo, sua oferta de acolher provisoriamente algumas crianças não foi atendida. 

Depois do insucesso da primeira atividade assistencial, ingressou num movimento organizado pelo pároco August Ernest, de Santo Tomás, que consistia em ajudar moradores de rua e ex-condenados, a fim de levá-los para o convívio, para a comunhão dos homens. Algumas vezes conseguiu prestar auxílio merecido e real, mas convenceu-se de que não era ainda esse o seu caminho. 

Em 1904, Albert Schweitzer, encontrou um fascículo da Sociedade Missionária de Paris, folheando-o, seus olhos depararam com um título de um artigo: “As Necessidades da Missão do Congo”. E de repente, como se um relâmpago iluminasse a alma, Schweitzer tomou para si o chamado “A Igreja precisa de homens que respondam logo ao chamado do Senhor com estas palavras: Eis-me aqui, Senhor”. A partir deste momento Schweitzer tomou a resolução; ser médico na Missão africana. 

“No dia 13 de outubro de 1905, uma sexta-feira, em Paris, coloqueis várias cartas numa caixa postal da Avenue de La Grande Armée, comunicando a meus pais, e alguns amigos mais próximos, a resolução de iniciar os estudos de medicina no princípio do semestre de inverno, para trabalhar como médico na África Equatorial. Numa das cartas, alegando a necessidade de me dedicar aos novos estudos, pedia demissão do meu cargo de diretor do Instituto Teológico de São Tomás”. Assim nos conta o próprio Albert Schweitzer em sua autobiografia. 

Foi uma surpresa para todos, a decisão tomada por Albert. Seus amigos levantaram uma onda de protestos e recriminações, e o reitor e demais professores da Universidade de Estrasburgo balançavam a cabeça quando aludia ao caso. Uma das suas dificuldades foi a volta aos bancos escolares aos trinta e tantos anos, entre rapazes de dezoito. É fácil imaginar o isolamento em que viveu e certamente não faltaram gracejos, ironias, dirigidos pelos rapazes àquele homenzarrão taciturno e obstinado. 

Seis anos! Durante esse período ele continuava realizando concertos e conferências em Paris. A sua relação de amizade com Helena Bresslau era mais freqüente e cada vez mais descobria a apatia que sentiam um pelo outro. Nesse tempo ela estudava enfermagem. 

Formado em Medicina, Schweitzer achou ainda indispensável seguir em Paris um curso intensivo sobre doenças tropicais; e nesse meio tempo começou a angariar fundos para um hospital que sonhava construir em Lambarene, nas margens do rio Ogooue. Não procurou nenhum subsídio proveniente de qualquer instituição, nem quis nenhum auxílio do Estado. Queria realizar seu trabalho com absoluta independência, livre de compromissos e principalmente livre de qualquer ligação com a burocracia estatal. Recorreu a amigos, bateu em todas as portas, e antes de iniciar a aquisição do material necessário, tratou de obter o apoio e a permissão da Sociedade Missionária de Paris. 

Antes de deixar a Europa, o Dr. Schweitzer apresentou sua tese, em que a Medicina e a Teologia se entrelaçavam: “Estudo psiquiátrico de Jesus. Exposição e crítica” 

Em 1913 o Dr. Schweitzer casou-se com Helèné. E logo após, num domingo de Páscoa, os recém-casados embarcam no vapor “Europa”, em Bordéus, com destino à África Equatorial

(Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogoué, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Lambaréné, que desenvolvia uma intensa atividade médica e missionária.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foi encarcerado pelas tropas francesas e, em 1924, regressou a Lambaréné. Recorrendo a conferências, a concertos de órgão (era um especialista em Bach) e aos dividendos obtidos com seus livros, conseguiu financiar as instalações. Schweitzer tornou-se uma figura lendária devido a sua atividade solitária. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus. Em 1951, recebeu o Prêmio da Paz outorgado pelos livreiros alemães e, em 1952, o Prêmio Nobel da Paz.

Em 1958 ele fez apelos na Rádio de Oslo para o abandono de testes nucleares. Durante toda sua vida, Schweitzer escreveu vários livros, dentre eles The Philosophy of Civilization, The Mystery of the Kingdom of God e Out of My Life and Thought, que consiste na sua autobiografia. Seu estudo Reverence for Life apresenta os fundamentos para o pensamento bioético. 

Schweitzer morreu em quatro de setembro de 1965, em Lambarené.

 

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Dos teólogos o século XX, Albert Schweitzer é talvez aquele com quem o público brasileiro tenha mais contato. Suas obras são conhecidas no Brasil desde a década de 50, ainda que, seguramente, motivadas pelo fato de o teólogo e filósofo ter recebido o Nobel da Paz, o que faz com que, aos leitores desse período, ele seja apresentado como um humanista e filantropo, deixando despercebida a sua obra teologia. Contudo, mesmo nessas obras é possível ainda identificar o pensador poderoso que foi, por assim dizer, ofuscado pela repentina notoriedade do humanista cristão, de maneira que sua contribuição para o pensamento teológico, da maior importância, não seja, de forma alguma relevada. Além disso, as próprias singularidades de sua vida, intensa e inteiramente dedicada ao propósito de servir ao bem comum, eivada de profundo altruísmo, e mesmo de certos elementos românticos, tornam por si só a sua biografia de um interesse fascinante, já que não fica circunscrita, como nos casos de Barth, de Bultmann, de Moltmann e de Emil Brunner, às paredes de uma sala de aula ou de um gabinete de estudos, podendo ser lida e apreciada tal como se lêssemos um romance.

Os primeiros anos

 Albert Schweitzer nasceu em Kayserberg, na Alsácia Superior, em 14 de janeiro de 1875, filho do pastor luterano Ludwig Schweitzer e de Adele Schweitzer, em solteira Schillinger, filha do pastor da localidade de Mülbach, também em terras alsacianas. Além da casa pastoral, a família Schweitzer possui antecedentes vinculados durante muito à fabricação de órgãos em Pfaffenhofen na Alsácia inferior o que pode explicar a posterior inclinação – e mais tarde o refinado desenvolvimento artístico – que o teólogo desenvolveu no manejo do órgão. Poucas semanas depois de seu nascimento, o Dr. Schweitzer recebeu uma nomeação pastoral para Günsbach, cuja comunidade pastoreou até a sua morte em 1925, sendo precedida da esposa, atropelada por um comboio militar alemão em 1916. Foi nessa região que o futuro teólogo viveria até a juventude. 

A região da Alsácia fornece muitas pistas acerca da formação e inclinações intelectuais e artísticas de Schweitzer. Por quase mil anos a Alsácia foi parte do Sacro Império Romano Germânico, o que explica a razão de grande parte da população local usar o alemão como primeira língua, revezando-a com o francês. Em 1681 foi anexada por Luiz XIV à França, permanecendo território francês até que a vitória da Prússia na guerra que esta travou contra a França (1870 – 1871) transferiu esse território, junto com uma parte da Lorena, para o Reich Alemão, situação essa que perdura até 1919 quando, pelo Tratado de Versalhes que consumou a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, o território volta ao poder da França. Com o armistício de Compiegne (1940) que selou a derrota total da França no começo da Segunda Guerra Mundial, a Alsácia volta à suserania alemã, assim permanecendo até 1944 quando de novo é retomada pelos franceses. Desse modo, ao longo de sua vida, o teólogo testemunhou nada menos do que quatro mudanças políticas no governo alsaciano que tiveram reflexos profundos não apenas na sociedade, mas também na educação e cultura e ainda, no caso em questão, da sua produção teológica. Contudo, a exemplo de seu conterrâneo Spener, pode-se perceber na obra de Albert Schweitzer influências tanto do meio cultural alemão com todo o seu racionalismo idealista, como do francês com sua longa tradição literária e artística a influenciar o mundo ocidental desde o Iluminismo. 

Albert Schweitzer iniciou seus estudos numa escola primária em Günsbach, seguindo depois para a Realschule (escola secundária que não ensina línguas clássicas) de Munster de onde se transferiu para Mülhausen (Alsácia) onde teve seu primeiro contato com um órgão, e com a música de Johann Sebastian Bach de quem seria um dos intérpretes mais fiéis, por meio do organista da Igreja Reformada de Sto Estevão de Mülhausen, Eugen Münch, de quem se tornou discípulo e amigo e para quem dedicou um belo panegírico por ocasião de sua morte, em 1898. Foi também nesse ginásio que começou a estudar latim e grego ao mesmo tempo em que, por outro lado, graças à gentileza de parentes do seu pai que viviam em Páris, pôde também realizar uma temporada de estudos com o grande organista da Notre Dame Charles Marie Vidor que lhe deram, conforme reconhece, um melhor domínio da técnica e da estética do instrumento. A amizade de Widor, a paixão pelo órgão e pela música de Bach, serão as três alegrias que se revezarão na vida do teólogo pelo resto da sua existência. 

A universidade: A Busca do Jesus Histórico

 Em fins de 1893, Schweitzer ingressa na Universidade de Estrasburgo onde estuda, simultaneamente, Teologia e Filosofia, e dos anos que estudou naquela egrégia instituição, ficaram poderosas lembranças. 

A universidade de Estrasburgo achava-se então em pleno esplendor. Desligados de tradições docentes e discentes porfiavam em realizar o ideal de uma escola superior moderna. Havia só uns poucos professores idosos no seu corpo docente. Em tudo soprava um ar juvenil. (...) quão grato me sentia pela circunstância de que a Universidade alemã não tutela os estudantes nos seus estudos e não lhes faz perder o fôlego de constantes exames, como é o caso em outros países, facultando assim (...) a possibilidade de um trabalho científico independente!  

Esse elogio da universidade alemã e do pensamento alemão, particularmente no que tange à Teologia, reaparecerá mais tarde em seu livro sobre o Jesus Histórico: 

Quando, em algum tempo no futuro, nosso período da civilização estiver fechado e completo perante os olhos das gerações vindouras, a teologia alemã se destacará como um fenômeno único e espiritual de nosso tempo. Pois em nenhuma parte, e não ser no temperamento alemão, pode-se encontrar com a mesma perfeição o complexo vivo de condições e fatores – de pensamento filosófico, agudeza crítica, visão histórica e sentimento religioso – sem os quais nenhuma teologia é possível. E a maior conquista da teologia alemã é a investigação crítica acerca da vida de Jesus. O que ela conseguiu até aqui estabeleceu as condições e determinou o curso do pensamento religioso do futuro. (...) ao descrever como as idéias de Jesus foram apropriadas pelo pensamento grego, ela traçou o desenvolvimento daquilo que necessariamente deveria tornar-se estranho para nós e, de fato, tornou-se estranho para nós.

Bem diversa foi a sua impressão da universidade francesa para onde se transferiu em 1898 em parte, para poder continuar os estudos de órgão com Widor, tendo guardado péssima impressão do ensino ministrado na Sorbonne (a Faculdade de Teologia Evangélica se saia bem melhor). No curso teológico o contato com a teologia liberal se deu do começo ao fim. O exegeta neotestamentário Holtzmann; os dogmáticos Julius Kaftan (posteriormente professor de Bultmann) e Paul Lobstein, discípulo de Ritschl e o historiador da Igreja Adolf von Harnack entre outros da mesma constelação, davam o tom das aulas e no momento de fazer os exames teológicos, veio o contato decisivo com a teologia de Friedrich Schleiermacher. Porém, além da Teologia Liberal, o que demonstrou interesse crescente do estudante de Teologia ao longo do curso – e um interesse que apenas irá crescer nos anos seguintes – foi aquele concernente ao do chamado Jesus Histórico. 

Não que ele fosse o iniciador da questão, pelo contrário: Entre Hermann Reimarus (século XVIII) e Wilhelm Wrede (1904), um século e meio se passou durante o qual diferentes autores de várias nacionalidades dedicaram estudos de caráter biográfico (ou, como se evidenciaria a partir de então, presuntivamente biográficos), sobre a vida e ao ministério de Jesus. Essa pesquisa que mudou a face da Teologia do século XIX produziu uma das polêmicas mais violentas e inconclusas já geradas na história do pensamento teológico moderno, e na qual as Ciências Humanas – a História, a Filosofia, a Sociologia, a Filologia e a Psicologia – acharam ser possível uma reconstituição da vida de Jesus a partir dos dados encontrados em sua época. Várias reconstituições foram tentadas ao longo desse período, partindo ora de Marcos (Weisse) ou dos sinóticos (Bauer), ora de Mateus (Strauss) ou de João (Weiss), ora buscando relações entre o ministério de Jesus Cristo e o judaísmo palestino por meio da reconstituição lingüística (Bolden, Gunkel, Lietzmann, etc), ou mesmo vinculações com o budismo (Max Müller) cada qual produzindo com isso uma visão de Jesus mais contraditória que a outra: a mítica (Strauss), a romântica (Renan), a pré-concebida de acordo com a leitura atualizada do século XIX (Bauer), a escatológica (Weiss) e a cética (Wrede). Os milagres são desacreditados totalmente, ora explicados como mitos e lendas (Strauss, Bauer), ora justificados pelas interpretações científicas mais escalafobéticas (Paul de Règla) Muitas vidas de Jesus eram claramente produto de ficção (August Friedrich Gfrörer) e vários tomavam conclusões arbitrárias com relação às fontes sendo suas conclusões rechaçadas em sua própria época (caso de Bauer que atribuía as cartas paulinas ao segundo século e de Friedrich Wilhelm Ghillany que considerava Mateus posterior a Lucas e o Evangelho de João uma fraude, e que viveu ainda para ver suas teses serem destruídas pela pesquisa exegética feita pela Escola de Tübingen; e finalmente, do próprio Strauss cujo desprezo manifesto a João desacreditou sua obra mais tarde). Uma das poucas conclusões positivas extraídas desse debate foi realçar claramente a importância contundente dos evangelhos como um todo em qualquer investigação séria que se queira fazer sobre a vida de Jesus. Outra, não menos importante, foi dimensionar o papel de João em relação aos evangelhos sinóticos, algo que Strauss (como também Weisse) ignorou totalmente e lhe foi bastante prejudicial. A terceira conclusão – e essa é o viés que orienta toda a razão de ser da principal obra de Schweitzer – é que não se poderia avançar muito além disso, pois os evangelhos de resto, não são uma narrativa biográfica, e portanto, não poderiam subsidiar pesquisas dessa monta.

 

 

 

 

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